Como foi visto na
primeira aula, a Geografia trabalha economia e cultura como abordagens desconexas e/ou opostas. Define-se uma matriz explicativa única para compreender o fenômeno estudado, desprezando os demais registros. No caso de uma perspectiva economicista relativa à América Latina, toma-se a dominação imperialista, o atraso tecnológico e a pequena força comercial como a causa de todos os fatos, inclusive aqueles identificados como "culturais". Esse discurso valoriza a força da esfera produtiva moderna, capaz de dissipar qualquer resistência em nome do progresso econômico.
Em oposição, coloca-se uma geografia da América Latina que ressalta a especificidade cultural latino-americana, derivada de um sentimento nativista, de uma valorização das narrativas tradicionais e de uma conexão com a natureza que seria, na verdade, a causalidade dos fatos sociais. Mesmo o funcionamento e o desenvolvimento da economia dependeriam da sua inclusão dentro dos sistemas simbólicos e dos processos cognitivos ligados à cultura.
O desafio desse curso é superar essa oposição e pensar em uma economia da cultura através de uma rediscussão das indústrias culturais. No que tange à América Latina, o objetivo é promover reinvenções do continente, de seus recortes regionais, de suas narrativas, de suas matrizes explicativas através dos cenários que ajudam a entendê-la.